A primeira impressão é a que fica

Já ouviu o ditado “a primeira impressão é a que fica”? Ele é um ótimo exemplo de como o primeiro contato com um produto ou serviço é extremamente importante e molda de forma significativa o consumo, percepção e o relacionamento futuro das pessoas com as marcas e empresas. 

Se preocupar em ter um bom design de produto e embalagem vai além da estética. É uma forma de se destacar, comunicar e se posicionar.


O design é uma arma poderosa

O design é uma ferramenta extremamente poderosa, principalmente quando utilizado de maneira estratégica. Ele atua diretamente na percepção de marca ao comunicar valores, fortalecer a identidade e transmitir qualidade. Por isso, é de extrema importância entender o perfil e as necessidades dos seus consumidores e público-alvo para alinhar o design a elas e, assim, não só alcançá-los como também conquistá-los.


A embalagem como posicionamento

Existe um conjunto de ações capazes de influenciar a decisão de compra e elevar a experiência do cliente, tanto nas lojas físicas quanto no ambiente online. Nesse contexto, a integração omnichannel é fundamental, e o design de embalagens desempenha um papel vital. 

Isso inclui não só os produtos que ficam nas prateleiras, ele se expande para o universo digital, onde a interface assume o papel de 'embalagem'. Um exemplo claro é a 'Gôndola Digital' dos streamings: em vez de uma imagem única, algoritmos selecionam a capa (thumbnail) que mais atrai cada perfil de usuário. A mesma lógica se aplica aos aplicativos que permitem alterar a 'cara' da interface (como a cor do ícone ou o fundo de tela) utilizam o design para fazer com que o usuário sinta que o produto é seu.


Quem nunca comprou algo por impulso só porque achou bonito? A embalagem deixou de ser apenas uma proteção, e passou a ser o primeiro e um dos mais estratégicos pontos de contato, especialmente quando se trata de bens de consumo rápido. Ela desempenha um papel decisivo na experiência do cliente, sendo determinante para a escolha final no momento da compra.

Uma embalagem visualmente impactante e funcional não apenas facilita a compreensão e o uso do produto, mas também se transforma em um recurso decisivo para atrair o consumidor no ponto de venda. 

Os atributos essenciais que uma embalagem eficiente deve ter são:

  • Legibilidade: Fontes claras e de fácil leitura;
  • Contraste: Uso adequado de cores para destacar o produto;
  • Organização: Disposição lógica dos elementos, facilitando a interpretação das informações sensoriais;
  • Hierarquia Visual: Direciona o foco do usuário para as informações mais relevantes.

Para explicar como o design molda as emoções, Donald Norman criou o conceito de Design Emocional. Ao defender que o design determina não só a compra, mas a construção de um relacionamento duradouro com a marca, ele estabelece que a experiência ocorre em três níveis:

  • Nível Visceral: É a primeira impressão, na qual a aparência e o apelo sensorial geram a percepção de que os produtos mais bonitos funcionam melhor e têm melhor qualidade. (Estética, aparência e textura);
  • Nível Comportamental: Focado na usabilidade, conforto e facilidade. A usabilidade do produto deve ser fluida e eficiente para reduzir a frustração e incentivar a recompra. (Praticidade);
  • Nível Reflexivo: Conecta-se à identidade. O consumidor escolhe a marca porque ela reflete seus valores e cultura, transformando o consumo em um ato de autoexpressão e pertencimento. (Diversidade, inclusão e ESG).

O design gera fidelidade?

A lealdade à marca transcende a recompra, que pode ser motivada por conveniência ou preço. A verdadeira fidelidade exige uma conexão afetiva e cognitiva. O design, ao atuar nos três níveis (Visceral, Comportamental e Reflexivo), consolida esses laços, elevando uma relação puramente transacional para um vínculo emocional. 

Afinal, o caminho para a lealdade vem justamente na passagem do valor visceral para o reflexivo. Por mais que a atração imediata seja essencial para a aquisição inicial, é a conexão com a identidade do consumidor que garante a durabilidade do relacionamento.

Assim, ainda que uma embalagem impactante não garanta a fidelidade, ela é o ponto de partida decisivo: deixa de ser ‘apenas’ um invólucro e passa a atuar ativamente na construção do relacionamento e no posicionamento da marca. Nesse cenário, investir no design de embalagens deixa de ser um diferencial estético e torna-se uma estratégia de retenção. 

Faça uma reflexão: sua embalagem conversa com a identidade do seu consumidor ou apenas protege o produto?

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